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Perfil dos Apostadores em Portugal: Demografia SRIJ 2025

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Quando falo em conferências sobre o mercado português de apostas, faço sempre uma pergunta à audiência: “Qual acham que é a idade média do apostador online em Portugal?” A maioria responde 30-35 anos. A realidade é que 34,9% dos jogadores registados têm entre 18 e 24 anos – a faixa mais jovem permitida por lei. Os dados do SRIJ de 2025 pintam um retrato do apostador português que devia interessar a qualquer pessoa neste setor.

Distribuição por Faixa Etária

Os números do SRIJ do Q4 de 2025 são claros: 77% dos jogadores registados em plataformas licenciadas têm menos de 45 anos. A faixa dos 25 aos 34 anos representa cerca de um terço do mercado – a maior fatia individual. Logo atrás, os 18-24 anos compõem 34,9%, um número que subiu consistentemente ao longo dos últimos anos.

Esta concentração nas faixas mais jovens tem implicações diretas para o mercado. É uma população nativa digital, que usa smartphone como dispositivo principal, que espera interfaces rápidas e que toma decisões de consumo influenciada pelas redes sociais. Os operadores que investem em apps fluidas, apostas ao vivo com streaming integrado e experiências mobile-first estão a responder a este perfil – não por escolha estética, mas por necessidade demográfica.

A faixa acima dos 45 anos, que representa os restantes 23%, tem um perfil de apostas diferente: stakes médias mais altas, menor frequência de apostas e preferência por mercados tradicionais (1X2, futebol). Os operadores que conseguem servir ambos os perfis – jovem/frequente/mobile e sénior/ocasional/desktop – captam a maior fatia do mercado.

Geografia das Apostas: Lisboa, Porto e o Resto do País

Lisboa e Porto dominam. Não é surpresa, mas a magnitude é relevante: 21,8% dos jogadores estão no distrito de Lisboa, 21% no Porto. Juntos, quase metade dos apostadores registados. Setúbal aparece em terceiro lugar com 8,8% – uma percentagem notável para um distrito com menor população que Braga ou Aveiro.

A distribuição geográfica não reflete apenas a população – reflete a cultura desportiva, a penetração digital e a proximidade a clubes de futebol com forte identidade. Lisboa e Porto são as sedes dos grandes clubes, e a ligação emocional ao futebol é um motor direto das apostas desportivas. Setúbal, com a sua tradição sadina, apresenta uma intensidade de aposta per capita que merece atenção.

Para o interior do país, os números caem significativamente. Distritos como Bragança, Portalegre ou Guarda representam fatias mínimas do mercado. A razão é composta: menor população, menor penetração de internet de alta velocidade e menor presença de eventos desportivos ao vivo. O crescimento futuro do mercado passará, em parte, pela expansão geográfica – e pelo 5G, que eliminará barreiras de conectividade.

Há um dado que me intriga: a Madeira e os Açores, apesar de representarem fatias pequenas do mercado, apresentam uma intensidade de aposta per capita interessante, especialmente em períodos de competições europeias de futebol. O isolamento geográfico e a limitação da oferta de entretenimento noturno podem contribuir para uma maior adesão ao jogo online como forma de lazer. É uma hipótese que os dados do SRIJ sugerem mas não confirmam diretamente.

95,1% dos jogadores são cidadãos portugueses. Entre os estrangeiros, os brasileiros representam 5,02% – a maior comunidade imigrante em Portugal e uma com forte cultura de apostas desportivas. Esta percentagem tende a crescer em paralelo com a imigração brasileira e com a familiaridade crescente da comunidade com os operadores licenciados em Portugal.

Contas Registadas vs Jogadores Ativos

Há um número que circula frequentemente e que precisa de contexto: 5 milhões de contas registadas. Parece que metade de Portugal tem conta numa casa de apostas. A realidade é mais nuanceada.

Um jogador pode ter contas em vários operadores – e muitos têm. Se tens conta em três plataformas diferentes, representas três registos. Os 5 milhões de contas não equivalem a 5 milhões de portugueses que apostam. O número de jogadores únicos é significativamente menor, embora o SRIJ não publique essa desagregação de forma direta.

O indicador mais fiável da atividade real é o número de contas com prática de jogo por trimestre – cerca de 1,2 milhões em 2025. Isto sugere que aproximadamente 24% das contas registadas estão efetivamente ativas em qualquer trimestre dado. As restantes são contas dormentes, abandonadas ou de jogadores que se registaram uma vez e nunca voltaram. Este rácio de atividade é consistente com outros mercados europeus e reflete a natureza do setor: muita curiosidade inicial, retenção moderada.

Para os operadores, este gap entre registos e atividade representa simultaneamente um desafio e uma oportunidade. Reativar contas dormentes custa menos do que adquirir novos clientes – e é por isso que as campanhas de reativação com promoções personalizadas são cada vez mais comuns no mercado português.

Tendências Demográficas e o Desafio do Jogo Ilegal

As tendências demográficas apontam para um mercado que se vai tornar ainda mais jovem e mais digital. A geração que está a chegar aos 18 anos cresceu com smartphones desde a infância – a sua relação com plataformas de entretenimento digital é radicalmente diferente da de um apostador de 40 anos que começou com boletins físicos.

Mas há um problema grave nesta tendência: 40% dos apostadores portugueses continuam a usar plataformas ilegais, e entre os 18-34 anos a percentagem sobe para 43%. A faixa etária que mais cresce no mercado legal é também a que tem maior penetração no ilegal. A razão é multifacetada – influenciadores que promovem plataformas sem licença, bónus aparentemente mais generosos, e a perceção de que “se está na internet, é legal”.

O desafio regulatório é claro: captar os jovens apostadores para o mercado regulado antes que criem hábitos no ilegal. As ferramentas de proteção – autoexclusão, limites de depósito, verificação de identidade – só funcionam dentro do mercado regulado. Para os 43% de jovens que apostam em plataformas ilegais, estas ferramentas não existem. A análise do jogo ilegal em Portugal explora a dimensão e os riscos desta realidade.

Perguntas Frequentes Sobre os Apostadores Portugueses

Quantos portugueses apostam online?
Existem cerca de 5 milhões de contas registadas em plataformas licenciadas, mas este número inclui múltiplas contas por jogador. O indicador mais fiável de atividade real é o número de contas ativas por trimestre – aproximadamente 1,2 milhões em 2025.
Qual a faixa etária que mais aposta em Portugal?
A faixa dos 18 aos 34 anos domina o mercado, com 34,9% dos jogadores entre 18-24 anos e aproximadamente um terço entre 25-34 anos. No total, 77% dos jogadores registados têm menos de 45 anos.